A primeira tentativa
novembro 26th, 2010 § Deixe um comentário
Apenas um (quase) soneto
Quando a arte se canta.
O nevoeiro vem.
Se pensa em tudo que tem.
O subliminar se levanta.
Procura luz.
Na noite silenciosa.
Sonora, serena, tortuosa.
O tudo se introduz.
O nada se esvai.
O vazio, dilacerado.
A branca pétala cai.
O mundo está parado.
E incessante vai.
Amargurado.
………………………..Estela Janine
Irrefutável
novembro 24th, 2010 § 1 Comentário
Há quem diga que tudo acontece por um motivo. Há também os que preferem pensar que tudo é casualidade. Mas, algo é fato para mim neste momento, independentemente da circunstância que o sucedeu, o que está feito não é para ter volta.
Absolutamente tudo depende do tempo, e por mais que tentemos ignorá-lo, como eu faço por vezes. Ele sempre está presente, concreto, constante, inalterável, irrefutável. Somos eternos dependentes dele, diretamente ou não.
Unir os atos a ação natural do tempo, provavelmente seja a melhor saída, pelo menos, é exatamente assim que penso agora. Culpa, censura, precipitação, são sentimentos que a nada levam. O mais sensato é mesmo, abraçar o tempo como um velho amigo, e caminhar com ele, para quem sabe encontrar um caminho.
Estela Janine
Verbalizar
novembro 18th, 2010 § Deixe um comentário
Sei que apenas sei que necessito escrever. O por que é sempre claro, esta não é a informação que busco. O quê, é a questão. Acho que eu só preciso verbalizar. Mas verbalizar o quê? Sentimentos? Acontecimentos? Sensações? Anseios? Dúvidas? Medos? Pretensões?
E verbalizar para quê? Organizar? Visualizar? Expor? Entender? Rever?
Encerro sem um fim dizendo apenas que nada disse.
Estela Janine
Inimigo íntimo
novembro 11th, 2010 § Deixe um comentário
Orgulho que fere.
Egoísmo que corrói.
Pensamento interrompido.
Futuro destruído.
O vasto é sucinto.
O tudo.
Não vejo, não possuo,
não sinto.
A lágrima cai.
Amor se esvai.
Bailando segue,
a terra morta.
………………………. Estela Janine
Entardecer
novembro 8th, 2010 § 2 Comentários
O ronco do motor marcava o fim do dia. E o sapato velho escorregava sobre o úmido asfalto, onde a chuva recém cessara. O lixo corria com os últimos resquícios de água pelo irregular declive da deserta rua.
Havia apenas uma pessoa caminhando por ali, talvez porque o toque de recolher recém tocara, cedo, como se fez costume desde aquele sombrio dia…
Passos lentos, determinados, talvez calculistas. O semblante se escondia sob a negra touca, parecia esconder-se além do frio, a respiração rápida, fatigada, parecia ansiar algo de doentio modo.
De repente, correu, e parou subitamente em frente ao velho portão de madeiras quebradas. Pôs a mão na fechadura, nervosamente, a delineou com os dedos. Num golpe rápido e tirou a chave do bolso, abriu o portão e sem o fechar correu quintal adentro.
Com a mesma agilidade de antes abriu a porta e subiu a escada, pulando dois degraus de uma só vez. Correu obstinadamente e escancarou a próxima porta. Deparou-se então com o que procurava ali. Avistou o espelho. Arrancou a touca e admirou o reflexo. Organizou o cabelo. Tomou nas mãos a gasta escova, e os dentes escovou.
Ouviu a mais doce música, o mais belo som, era a voz da pessoa amada, que lhe gritava o nome. Os músculos maxilares moveram-se instantânea e involuntariamente com o som captado, nascia um sorriso. E a voz saiu embargada, gritando:
– Suba meu amor!
Estela Janine
Eu sou
novembro 8th, 2010 § Deixe um comentário
Sou como o vento, que é ora leve, ora intenso, as vezes puro e outras poluído, talvez limpo, talvez carregado. Que constrói, destrói. Que é vida e é morte.
Estela Janine
Monotonia
novembro 8th, 2010 § Deixe um comentário
As folhas são viradas hora silenciosamente, hora provocando secos ruídos. E seu conteúdo é sempre igual, coisas mudam, mas nada que realmente lhe importe. As letras embaralham-se sem nada dizer. Frases e frases que se inutiliza.
E ao lado, a caneta risca o papel num movimento preguiçoso, e mais além outros riscos surgem raivosa ou empolgadamente.
Os passos são sempre os mesmos, ainda que mudem a intensidade ou direção, permanecem vazios. Os caminhos são desconexos e sem destino.
E o estresse ainda paira, retornando a cada momento em que a tranquilidade e a alegria destraem-se.
O olhar fixo, que nada vê.
Monotonia
Folhas viram.
Dias passam.
Nada acontece.
Vê, respira.
Lê, sobrevive.
Já não há vida.
Escreve, diz.
Anda, desanda.
E pensa, que pensa.
Estela Janine
A teia
novembro 1st, 2010 § Deixe um comentário
Sinto-me na tentativa de libertar-me de uma teia, mas cada vez que me solto de um fio, outros dois enroscam-me.
E esses fios têm as mais distintas origens. Há fios de tristeza, de confusão, enfim, de diversas emoções. Mas há também fios mais intensos e um tanto mais específicos, que me prendem, mais e mais. Fios de solidão, incompreensão, abandono, escassez de recíprocas etc.
Hora os fios aumentam, hora ocultam-se em suas próprias entranhas. E tudo vai se alterando, se modificando, fazendo assim o fio da confusão aumentar e me envolver com destreza.
Sempre que os fios ocultos voltam à tona, são mais intensos, pois sempre somam aos acontecimentos anteriores os atuais.
E assim segue num emaranhado isento de fim e simplicidade.
Estela Janine