A esfera áurea
abril 21st, 2011 § Deixe um comentário

Contempando flutuantes cores;
Sentindo gloriosos sons;
Insanidades pairam,
alastram-se, transbordam,
e se fazem intragáveis.
Talvez os bípedes
com suas sanidades tilintantes
coexistissem sem noção do que os circundavam.
Mas os seres incomuns, a sua volta -
e comuns entre si -,
os observavam e atordoavam-se.
No fim, por insanos que são
desliguaram-se dos outros
e reconectaram-se
com o que não se vê, nem se toca
mas se sente, plenamente.
Estela Janine -
19 de abril de 2011
A humanidade em escombros mentais
março 12th, 2011 § Deixe um comentário
Paz e descanso aos que moram ou moraram sobre o círculo de fogo. Aos que se viram engolidos por aquela mesma água que antes deve ter-lhes servido de tanto proveito. Aos que sentiram-se perdendo o chão literalmente.
Espero que as vítimas agora estejam em paz, que suas almas estejam resguardadas.
Que esse acontecimento no Japão sirva de exemplo – de uma vez por todas, já que tantos outros não serviram tanto – de que dependemos do planeta e que ao invés de agradecê-lo e cuidá-lo, só sabemos fazer destruí-lo desmedidamente, que abra os olhos e coração da humanidade para ver que nosso planeta Terra pode nos digerir em água ou em o que mais quiser e principalmente que toda sua grandeza e esplendor precisam ser respeitados, já.
Gostaria que não fosse somente utópico meu desejo de que toda aquela solidariedade – ou medo – permanecesse daqui em diante, não só quando catástrofes acontecem.
E tenho fé de que a sabedoria japonesa – que admiro, mesmo pouco conhecendo – irá restabelecer-se mais uma vez. Que o povo fortalecer-se-á.
PS: Observando o lado científico da situação atual do mundo, não é tão somente culpa dos seres humanos as mudanças físicas de nosso planeta. Mas que a Terra está mais uma vez passando por uma de suas fases, ou Eras, e algumas mudanças são um tanto quanto inevitáveis. Por outro lado não posso deixar de reclamar o lado culposo de nossas ações, liberando hoje, por exemplo, poluentes absorvidos a bilhões de anos atrás. Então não consigo ver-nos como os mocinhos da história, que estão correndo perigo, e sim como os vilões que estão desgastando as colunas que sustentam o teto que os abrigam.
Estela Janine
“Nem toda brasileira é bunda” R.L.
março 9th, 2011 § 1 Comentário
A ignorância é tão intensa na sociedade que tornou-se preconceito. As pessoas cegaram-se com ideologias absurdas, algumas acham-se melhores que outras e criticam-nas. Mas quem somos para julgar alguém ou para acharmo-nos melhores que qualquer um que seja? Não nos cabe julgar ninguém, cada um tem sua história, sua realidade, suas necessidades e não importa qual sejam suas escolhas ou então qual seja o rumo que tomaram, mesmo sem ter escolhido-o, elas são tão humanas ou até mais do que os que julgam-nas, criticam-nas.
Tem-se o fatal erro de generalizá-las, como se fossem todas iguais e pudessem ser comparadas e classificadas. Já dizia Rita Lee, “Nem toda brasileira é bunda”. Pois digo eu que nem todo mendigo é marginal, nem toda garota de programa é vulgar e a maioria não escolheu estar lá, nem todas as pessoas que não são heterossexuais escolheram isso ou querem apenas mostrar-se, aparecer ou “pegar geral”, nem todos os presos são culpados e muitos deles não sabiam que podiam ter outra opção ou realmente não tiveram-na.
As coisas não são apenas o que aparentam, acho uma idiotice pensar que em um grupo as pessoas são iguais ou pensam igualmente, elas podem ter algo ou algumas coisas em comum, mas a mente humana é complexa demais para se assemelhar completamente a outra. Cada pessoa é única, por mais semelhante que possa ser a outra(s).
Estela Janine
Hoje
março 8th, 2011 § Deixe um comentário
O ventre dá vida.
A mão, carinho.
O olhar, acolhimento.
O abraço, alento.
O colo, segurança.
As palavras, conhecimento.
O sorriso, satisfação.
Mulheres dão a vida, pela vida.
Estela Janine
¿ɐpıʇɹǝʌuı ǝpɐpǝıɔos
março 6th, 2011 § 1 Comentário
Por que enquanto duas crianças estão jogadas na calçada, desumanos passam em carros importados pela avenida e nem reparam a presenças delas, outros ainda, olham com semblantes enojados?
Por que um chefe explora seu empregado o máximo possível, para aumentar os zeros de sua conta que já são muitos, enquanto esse mesmo empregado vê seus filhos chorarem por comida? Trabalhamos para abastecer quem, nós mesmos ou quem nos comanda? Trabalhamos por nós ou por eles? Cansamos-nos por nós ou por eles?
Por que os professores não são mais mestres? E por que mesmo os que não conseguem ser já não são mais respeitados nem pelo belo ato de tentar lecionar? Por que o conhecimento passou a ser um martírio? Por que as pessoas aprenderam a fugir das perguntas? Por que o medo de estar errado se tornou maior do que a vontade de se expressar, tirar dúvidas, corrigir?
Quanto falta para aumentarmos extraordinariamente nossa tecnologia? E a que passo andamos de acompanhar do mesmo modo extraordinário a evolução da mente humana?
O que fazemos para tentar consertar os estragos causados à natureza, mesmo depois dos avanços adquiridos nos conhecimentos científicos que trouxe-nos consciência desses estragos?
Que caminho seguimos? O da justiça? Da injustiça? Mas o que é justo? E por que a justiça não parece ser igual para todos ou funcionar em todas as ocasiões? Por que uns tornam-se cegos e desenfreados a ponto de aceitarem suborno para inocentar pessoas depravadas e selvagens?
Por onde andamos? Em que estamos pisando? Sobre quais pegadas invisíveis estamos passando? O que os causadores de tais pegadas fizeram de sua vida? Qual parte da história eles construíram? Qual participação silenciosa eles têm em nossa vida, mesmo que tenha vivido a anos atrás? Quanto nos importamos com isso?
O que estamos fazendo aqui? O que estamos fazendo para nós mesmos? E para quem está próximo a nós? Para quem não está? Para quem sofre? Para quem só precisa de um sorriso ou um abraço? O que estamos fazendo?
O que fomos? O que somos? No que nos transformamos? O quanto ciente estamos do que nos passou e passa? Quanto nós sabemos? Quanto ignoramos mesmo sabendo? Quanto nos conformamos?
Estela Janine
Mentiras
janeiro 25th, 2011 § 1 Comentário
A verdade é o concreto, o incerto. É o que sei, o que procuro descobrir.
É o que se vive, o que se idealiza.
É o oposto da mentira, mas não existe sem ela,
ao mesmo tempo que dela independe.
É o que se quer, do que se foge.
A verdade está aqui e inexiste.
É a causa, a cura.
É o começo, o fim.
O fato.
Mas a minha verdade, não é a sua;
Se eu ver isso e seus sentidos disserem-lhe aquilo?
Algum de nós estaria mentindo?
Seria apenas interpretações.
Estela Janine
Monotonia
novembro 8th, 2010 § Deixe um comentário
As folhas são viradas hora silenciosamente, hora provocando secos ruídos. E seu conteúdo é sempre igual, coisas mudam, mas nada que realmente lhe importe. As letras embaralham-se sem nada dizer. Frases e frases que se inutiliza.
E ao lado, a caneta risca o papel num movimento preguiçoso, e mais além outros riscos surgem raivosa ou empolgadamente.
Os passos são sempre os mesmos, ainda que mudem a intensidade ou direção, permanecem vazios. Os caminhos são desconexos e sem destino.
E o estresse ainda paira, retornando a cada momento em que a tranquilidade e a alegria destraem-se.
O olhar fixo, que nada vê.
Monotonia
Folhas viram.
Dias passam.
Nada acontece.
Vê, respira.
Lê, sobrevive.
Já não há vida.
Escreve, diz.
Anda, desanda.
E pensa, que pensa.
Estela Janine
Entranhas multicoloridas
setembro 27th, 2010 § Deixe um comentário
Viajado, alterado,
misturado, explorado.
Brasil já foi a Portugal.
Brasil já foi a África.
Brasil já foi a Europa e foi a América.
Diversidade, desigualdade.
Terra de negros, brancos e pardos.
Terra de todos. Terra de ninguém.
Raças e culturas conversam,
se abraçam, se desgastam.
E de que adianta tanto ter
e tão pouco respeitar?
Verde e amarelo se confundem na aquarela
somando todas as bandeiras.
Valiosa área desvalorizada.
Estela Janine
03 de setembro de 2010
A (des)humanidade
setembro 5th, 2010 § 2 Comentários
O céu está límpido, esbanjando um hipnotizante tom claro de azul.
Manchas pretas começam a surgir sobre o céu, e como consequência, gotas vermelhas inundaram a paisagem.
E como se tornou praxe, começaram a aparecer manchas violetas, aos poucos, e a quantidade foi aumentando e preenchendo muitos espaços, até os já ocupados por outras cores. E o violeta sendo uma cor tão intensa naquele céu, acarretou o aparecimento do cinza que chegou tampando quase tudo com sua maldade.
Um suspiro, um alívio, um sorriso, começava momentos brancos sobrepondo a desordem, mas essa cor vinha tímida, lenta, e com ela tentava mostrar novamente o estonteante azul daquele maravilhoso céu.
Estela Janine
Seja feliz!
setembro 4th, 2010 § Deixe um comentário
O homo sapiens é diferenciado dos demais seres vivos pela capacidade que tens de racionalizar. No entanto ele só será feliz quando aprender a pensar no que há de bom e não supervalorizar e buscar compreensão para todos seus problemas.
Estela Janine